A confiança empresarial no presente e as expectativas para o futuro da economia brasileira estão piorando. O Índice de Confiança Empresarial (ICE), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), recuou 0,4 ponto em março, para 91,9 pontos. O resultado representa a segunda queda consecutiva do índice após cinco meses em alta.
A incerteza, que já era grande devido aos juros altos e ao tensionamento com as eleições deste ano, ganhou um novo componente no final de fevereiro, com o início da guerra no Oriente Médio.
As expectativas econômicas também pioraram no período. O mercado elevou a projeção da taxa Selic para 12,5% ao fim do ano, em meio à alta das estimativas de inflação, que passaram de 3,9% para 4,3%.
Até agora, a economia brasileira se divide: consumidores ganham fôlego com a inflação ainda sob controle, mas empresários enfrentam juros altos e incertezas geopolíticas que travam investimentos. Há, portanto, um paradoxo: enquanto o consumo resiste, o investimento privado desacelera.
Selic nas alturas freia a confiança empresarial
A taxa de juros Selic é o principal obstáculo à confiança empresarial. O corte recente de apenas 0,25 ponto percentual é insuficiente para destravar a indústria. A taxa atual, em 14,75%, está entre as maiores nominais do mundo – em termos reais, também é uma das mais elevadas globalmente, atrás apenas da Turquia.
“O percentual de empresas que não pretende investir é elevado, principalmente por conta dos juros altos. Isso prejudica o aumento da produtividade que a economia brasileira precisa”, diz Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional das Indústrias (CNI).
Em março deste ano, 23 dos 29 setores industriais apontaram pessimismo – o maior número desde o início de 2025 –, com empresários projetando queda no número de empregados e no lançamento de novos empreendimentos.
O bloqueio ao crédito é estrutural. 62% das indústrias planejam usar apenas capital próprio para investir em 2026, devido ao alto custo dos recursos e às exigências excessivas de garantias. Isso limita drasticamente o alcance dos projetos de expansão.
No varejo e nos serviços, o impacto é duplo: além da Selic elevada, há o endividamento das famílias, que limita a renda disponível e a demanda real, aponta Geórgia Veloso, economista do FGV-Ibre.
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