Petrobras avança com a alta do petróleo, mas sem força para impedir a queda do principal índice acionário da B3, que ampliou as perdas nesta quarta, 22
O Ibovespa ampliou as perdas ao longo da manhã desta quarta-feira, 22, e passou a cair mais de 1%, em um movimento que contrasta com o avanço das bolsas americanas. Por volta das 12h30, o principal índice da B3 recuava 1,39%, aos 193.409 pontos, com 66 dos 82 papéis no vermelho e apenas oito em alta.
O desempenho é pressionado por ações de maior peso. A Vale (VALE3) caía quase 1%, enquanto os grandes bancos ampliavam as perdas, com taú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC3 e BBDC4) recuando mais de 2%, acompanhados por BTG Pactual (BPAC11), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11), que também caem forte.
Na ponta positiva, a Petrobras (PETR3 e PETR4) até avançava com a alta do petróleo, mas sem força para impedir a queda do índice.
Em sentido oposto, os principais índices dos Estados Unidos operam em alta. No mesmo horário, o Dow Jones subia 0,82%, o S&P 500 avançava 0,84% e o Nasdaq ganhava 1,19%, sustentados por uma temporada de balanços corporativos positiva e por um alívio, ainda que parcial, no cenário geopolítico.
Esse alívio veio após o presidente Donald Trump anunciar a extensão, por prazo indeterminado, do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. A decisão reduz momentaneamente o risco de uma escalada mais aguda no conflito e melhora a percepção global de risco, ainda que sem eliminar as incertezas.
O ambiente segue sensível, já que há relatos de ataques a embarcações e restrições no Estreito de Ormuz, mantendo no radar o risco de interrupções logísticas e energéticas. Com isso, o petróleo Brent, referência mundial, avança mais de 3%, acima dos US$ 100 o barril. O WIT, mais usado nos EUA, também sobe 2,85%, a US$ 92,18.
Na prática, o mercado internacional parece operar em um “regime híbrido”, em que de um lado há uma melhora tática no apetite por risco, suficiente para sustentar as bolsas americanas, mas ainda com um prêmio estrutural elevado, que limita ganhos mais expressivos, especialmente em ativos de mercados emergentes.
Por que o Ibovespa recua enquanto NY avança?
No Brasil, a dinâmica é mais negativa e combina fatores técnicos, fluxo e cenário doméstico. Parte da queda do Ibovespa é explicada por um ajuste após o feriado de Tiradentes, na véspera, quando a bolsa local permaneceu fechada enquanto os mercados globais recuaram.
“Apesar do anúncio de cessar-fogo, o conflito persiste. Há notícias de ataques a navios no Estreito de Ormuz e o petróleo está subindo. Além disso, os mercados fecharam em queda ontem quando o Ibovespa estava fechado. Ou seja, parte da queda é ajuste pelo feriado”, afirma Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial.
Outro componente importante é o movimento de realização de lucros. Após se aproximar de máximas, a referência acionária brasileira chegou aos 195.733 pontos no último pregão antes do feriado e ficou próximo de superar os inéditos 200 mil pontos na semana passadaa, o mercado passa por uma correção técnica, na avaliação do Itaú BBA.
Relatório do banco, divulgado nesta quarta, aponta que o Ibovespa está em território de sobrecompra e em processo de ajuste, com suportes em 188.100 e 184.300 pontos que ainda preservam a tendência de retomada do movimento de valorização dependeria da superação da máxima recente, próxima de 199 mil pontos.
Esse processo ocorre em meio a um pano de fundo ainda incerto. “As perspectivas de avanço em um acordo entre Estados Unidos e Irã seguem cercadas de incertezas. Nos EUA, os índices estão esticados e, no Brasil, o Ibovespa também está próximo às máximas, mas ainda falta um impulso adicional para sustentar novas altas”, destaca o relatório.
Saída de R$ 4 bi de estrangeiros pressiona a bolsa
O fluxo estrangeiro também reforça a pressão negativa. Investidores internacionais retiraram recursos da bolsa brasileira por três sessões consecutivas, com saídas de R$ 1,03 bilhão no dia 15, R$ 771 milhões no dia 16 e R$ 2,42 bilhões no dia 17, somando ao todo R$ 4,2 bilhões de saída no período em que o Ibovespa também acumulou quedas.
A Eleven Financial também aponta, em relatório, que o cenário doméstico segue desafiador. A alta das expectativas de inflação para 2026, para perto de 4,7%, reforça a percepção de que a política monetária deve permanecer restritiva por mais tempo.
No campo fiscal, a distância entre a meta de superávit e as projeções de resultado negativo, somada à frustração com a arrecadação sobre dividendos, aumenta o ruído sobre a credibilidade das contas públicas, pressionando a curva de juros e os ativos locais.
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